Caralho… Hoje só estou a sobreviver.

Caralho… Há dias em que a gente não sabe se está a aguentar ou simplesmente a adiar o momento de cair. E hoje eu não sei. Estou naquela merda de lugar entre o “vai passar” e o “eu já não sei se consigo”. Na corda bamba. A tentar manter o equilíbrio enquanto tudo dentro de mim parece querer desabar. E o pior é que, por fora, provavelmente ninguém percebe. Eu continuo a responder. Continuo a trabalhar. Continuo a fazer o que tenho de fazer. Continuo a dizer “está tudo bem” porque é mais fácil do que explicar o tamanho do caos que existe cá dentro. Mas não está. Hoje não está.
Hoje há qualquer coisa em mim que está cansada de ser forte. Cansada de engolir. Cansada de compreender toda a gente enquanto ninguém percebe que, às vezes, eu também precisava que alguém me compreendesse sem eu ter de pedir. Estou cansada de dizer “não faz mal” quando fez. De dizer “eu consigo” quando não sei de onde vou tirar forças. De limpar as minhas próprias lágrimas antes que alguém as veja. E talvez esta seja a parte mais honesta que alguma vez consegui escrever. Eu não quero conselhos. Não quero que me digam que sou forte. Hoje eu só queria poder pousar a cabeça em algum lugar e não ter de ser nada durante uns minutos. Nem mulher forte. Nem a que resolve. Nem a que aguenta. Nem a que sorri. Só eu. Com esta tristeza toda. Com este medo todo. Com esta merda toda que não sei onde guardar. Porque há dores que não fazem barulho. Só ocupam espaço. E eu sinto que estou cheia. Cheia de coisas que nunca disse. De pessoas que perdi. De coisas que aceitei. De vezes em que fiquei quando já devia ter ido. De vezes em que fui embora quando ainda queria ficar. De palavras que me engoli para não magoar ninguém. E agora estou aqui. A tentar não me partir mais. Talvez amanhã eu volte a ser aquela pessoa que todos conhecem. Talvez volte a rir. Talvez volte a resolver tudo. Mas hoje não me peçam isso. Hoje deixem-me estar triste. Deixem-me chorar. Deixem-me admitir que há momentos em que até eu, que tantas vezes achei que conseguia tudo, fico sem saber para onde me virar. Caralho… Eu estou mesmo no limite. Mas ainda estou aqui. E talvez seja isso que ninguém vê. Ás vezes, sobreviver ao dia não parece força nenhuma. Parece só respirar. Mais uma vez. E outra. E outra. Até a noite passar. Até o peito deixar de apertar. Até eu conseguir voltar a encontrar-me no meio dos pedaços. Hoje não preciso de vencer. Hoje só preciso de não desistir de mim.


Comentários

Deixe um comentário