
Hoje eu não estou bem. E não quero fingir que estou. Hoje estou triste. Daquelas tristezas que não cabem numa frase, nem passam porque alguém diz “vai ficar tudo bem”. Hoje estou desorientada. Despedaçada.
Estilhaçada. Com a cabeça cheia e o coração ainda mais. Já chorei. Muito. Daquelas lágrimas que começam sem pedir licença e, quando damos por elas, já nos molharam a cara inteira. E hoje não tenho nenhuma frase bonita para justificar isto. Não tenho força para transformar a dor em aprendizagem. Não quero dizer que sou forte. Hoje não. Hoje só estou cansada. Cansada de tentar perceber.
Cansada de tentar aceitar. Cansada de juntar os pedaços e fingir que ainda sei exactamente onde cada um pertence. Há dias em que conseguimos levantar-nos mesmo partidos. Hoje eu não sei se consigo. Hoje o mundo continua a acontecer lá fora, as pessoas continuam a rir, os telefones continuam a tocar, a vida continua a exigir coisas de mim… E eu só queria que, por algumas horas, ninguém me pedisse nada. Queria desaparecer do barulho. Ficar quieta. Chorar até não ter mais lágrimas. E talvez amanhã eu volte a ser aquela mulher que resolve tudo. Talvez amanhã eu volte a vestir a armadura. Mas hoje? Hoje não! Hoje eu sou só esta mulher cansada, perdida no meio daquilo que sente, a tentar respirar entre uma lágrima e outra. E caralho… Há dias em que dói mesmo. Dói sem explicação. Dói sem orgulho. Dói sem força. E hoje é um desses dias. Por isso, se amanhã eu voltar a sorrir, não significa que hoje não me destruiu. Significa apenas que, mesmo despedaçada, eu fiquei. E talvez, por hoje, isso tenha de ser suficiente.

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