
Hoje, por alguns segundos, esqueci-me. Depois lembrei-me. E voltou tudo.
Aquele peso no peito. Aquela vontade de ficar deitada e deixar o mundo acontecer sem mim. Aquela sensação de que há qualquer coisa partida cá dentro e eu ainda não descobri como se cola. Caralho… Eu queria dizer que hoje estou melhor. Queria. Mas ainda não estou. Ainda há lágrimas que aparecem sem aviso. Ainda há pensamentos que me levam para lugares onde eu não queria voltar. Ainda há momentos em que fico parada, a olhar para o nada, porque nem eu sei explicar aquilo que estou a sentir. E talvez seja isso que mais assusta. Não saber. Não saber quando passa. Não saber como se volta a ser a pessoa que éramos antes de certas coisas nos acontecerem. Não saber se um dia vamos conseguir falar daquilo sem sentir o mesmo aperto. Mas hoje percebi uma coisa. Eu não preciso de estar bem para continuar. Posso estar triste e continuar. Posso estar cansada continuar. Posso ter o coração em pedaços e ainda assim levantar-me. Não porque sou invencível. Mas porque, mesmo quando me apetece desaparecer de tudo, existe uma parte de mim que ainda não desistiu de me encontrar. E essa parte merece que eu fique. Hoje não vou exigir de mim grandes respostas. Não vou obrigar-me a sorrir. Não vou fingir que já passou. Vou simplesmente atravessar este dia. Um passo. Depois outro. Se tiver de chorar, choro. Se tiver de parar, paro. Se hoje só conseguir fazer o mínimo, então que seja o mínimo. Porque talvez curar não seja acordar um dia e já não doer. Talvez seja isto. Ainda a doer e, mesmo assim, escolher não me abandonar. Caralho… Eu ainda estou aqui. E hoje, por enquanto, isso chega.

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