
Tem pessoas que entram na nossa vida sem sequer terem entrado nela. Não sei explicar. Não as conhecemos. Não lhes conhecemos o cheiro, o abraço, a maneira de andar, a forma como ficam quando estão irritadas ou como riem quando se esquecem que alguém está a olhar. E, mesmo assim, damos por nós a pensar nelas. Demasiado. Aquelas mensagens que começam sem importância e, de repente, ficam a morar na cabeça horas depois de a conversa acabar. Aquela vontade estúpida de saber mais. Mais uma coisa. Mais uma história. Mais um detalhe. Como se houvesse qualquer coisa ali que ainda não conseguimos alcançar, mas que também não conseguimos simplesmente ignorar. E o mais estranho é que eu nem sei se gosto de ti. Porque ainda não te conheço o suficiente para chamar carinho, amor, gosto ao que quer que seja isto. Mas sei que me despertaste uma curiosidade que não tenho por qualquer pessoa. E há dias em que estou a fazer a minha vida normalmente e, sem aviso nenhum, penso em ti. Penso no que estarás a fazer. No que dirias se estivesses aqui. Naquilo que ainda não me contaste. E depois rio-me de mim própria porque, caralho… Como é que alguém que ainda nem faz parte da minha vida consegue aparecer tantas vezes dentro dela? Talvez seja só curiosidade. Talvez seja aquela coincidência estranha de duas pessoas que se cruzaram no momento certo. Talvez não seja absolutamente nada. Mas há qualquer coisa em ti que me prende. E eu não sei se quero descobrir o que é.
Mentira. Quero. Quero descobrir se aquilo que existe nas mensagens sobrevive quando deixam de existir ecrãs pelo meio. Se a conversa continua quando já não há tempo para pensar na resposta. Se o silêncio também é confortável. Se a tua presença tem o mesmo peso que as tuas palavras. Quero saber se a pessoa que imagino quando leio as tuas mensagens existe mesmo. E talvez seja isso que me assusta. Porque há pessoas que conhecemos durante anos e nunca nos despertam nada. E depois aparece alguém que mal conhecemos e, por alguma razão que não sabemos explicar, fica ! Fica na cabeça. Fica na curiosidade. Fica naquele pequeno espaço entre o “não é nada” e o “e se for?”.

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