
Quero que sejas feliz. De verdade. Mesmo que ainda sintas necessidade de me esfregar em cara coisas que já não mudam nada. Como se ferir fosse a única forma de provar que ainda algo te incomoda. Há quem precise de repetir certas versões até conseguir acreditar nelas. Eu não. Não te desejo mal, nunca desejei. Não te desejo o que me fizeste sentir. Seria demasiado fácil. Desejo te um amor tão grande que um dia percebes o tamanho daquilo que perdeste. Desejo-te alguém que te ame bem, que te seja inteiro, que nunca te obrigue a descobrir pelas costas aquilo que devia saber pela frente. E talvez seja aí que esteja a ironia de tudo isto. Já não me vais desiludir. Já não sou a enganada. Nem a mentirosa. Nem a que esconde. Nem a que sai com a confiança partida às escondidas. Já não tenho lugar nessa história. E, sinceramente, espero que encontres alguém que te faça perceber o que perdeste sem que eu precise de estar lá para assistir. Porque eu sei que fui uma perda e não preciso que admitas isso. O tempo costuma ter uma maneira muito fria de explicar aquilo que o orgulho nunca deixou ninguém dizer. Porque há perdas que não se explicam no dia em que acontecem. Explicam-se mais tarde. Quando a comparação deixa de ser comigo e passa a ser com aquilo que já não encontras em mais ninguém. Por isso ainda bem que foste. Ama e sê feliz. E não precisas de continuar a tentar convencer-me de que não perdi nada. Eu também sei aquilo que eu perdi. A diferença é que tu ainda vais descobrir o que também perdeste. Há pessoas que se perdem uma vez. E há perdas que só se entendem quando já não existe ninguém para recuperar!

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