Estou a ir embora porque, finalmente, percebi que já não quero ser encontrada por ti.

Desta vez vou. Não vou fazer barulho. Não vou deixar explicações. Não vou olhar para trás para ver se corres atrás de mim. Porque houve um tempo em que eu teria ficado só porque me chamaste. Houve um tempo em que bastava uma palavra tua para me fazer voltar atrás e esquecer tudo aquilo que me estava a doer. Mas esse tempo acabou. Há coisas que se fazem a alguém tantas vezes que, um dia, essa pessoa aprende. Aprende a viver com a ausência. Aprende a não esperar. Aprende que amar alguém não obriga ninguém a ficar onde já não é escolhido. E é estranho… Porque durante tanto tempo tive medo de te perder. Hoje, o que me assusta é perceber quanto de mim perdi por tentar não te perder a ti. Por isso vou.
Com a dor de quem ainda sente. Com o peso de quem um dia teria dado tudo. Mas vou com a certeza de que já não existe caminho de volta. Dizem que quem fere também acaba por sentir. Eu não sei. Só sei que, quando sentires o silêncio que deixei, já não vai existir uma versão minha à tua espera. Porque desta vez não estou a ir embora para que me procures. Estou a ir embora porque, finalmente, percebi que já não quero ser encontrada por ti. E talvez um dia voltes ao lugar onde me deixaste, à procura da pessoa que tinha sempre uma última hipótese para te dar. Talvez me procures naquilo que ficou por dizer, nas memórias que julgaste que nunca iriam embora, ou no vazio que só se sente quando já é tarde demais. Mas eu já não vou estar lá. Porque há despedidas que não acabam uma história. Acabam a pessoa que ainda acreditava que essa história podia ser salva. Há despedidas que enterram, de uma vez por todas, a pessoa que morreu de tanto tentar ficar.


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