Há ausências que nos levam com elas.

Há despedidas que não acontecem num último abraço. Acontecem devagar. Em silêncio. Acontecem quando continuamos a esperar alguém que, no fundo, já sabemos que não vem. Eu espero por ti. Eu ainda espero por ti. E talvez seja essa a parte mais triste de tudo. Eu espero sabendo que não vens. Espero sem acreditar. Espero sem esperança. Espero porque o meu coração ainda não aprendeu aquilo que a minha cabeça já sabe há muito tempo. Tu foste embora e não vais voltar. E dói. Dói de uma forma tão funda que às vezes nem sei explicar onde começa a dor. Se é no peito, se é na garganta, se é nas memórias ou neste vazio enorme que deixaste em mim quando decidiste partir. Há dias em que ainda procuro sinais teus em coisas que não têm nada a ver contigo. Uma música. Uma rua. Uma hora específica. Um cheiro. Uma palavra. E por segundos, só por segundos, o meu coração engana-se. Pensa que talvez. Talvez hoje. Talvez agora. Talvez ainda voltes. Mas depois a realidade cai em cima de mim outra vez, pesada, fria, cruel. Tu não vens. E eu tenho de continuar a viver com esta consciência. Tenho de acordar todos os dias sabendo que há alguém que eu queria desesperadamente que estivesse aqui, mas que já não está. Que há alguém por quem eu daria tudo para ouvir dizer “voltei”, mas que nunca mais vai entrar pela porta. E sabes o que é mais cruel? É que eu não sei como deixar de esperar. Não sei como dizer ao meu coração que acabou. Não sei como arrancar de mim esta necessidade de ti. Não sei como aceitar uma ausência que eu nunca escolhi. Eu sei que não vais voltar. Eu sei. Repito isto tantas vezes dentro da minha cabeça que já devia ter aprendido a acreditar. Mas há uma parte de mim, uma parte pequena, idiota, desesperada… Que continua sentada à espera de um milagre. E eu estou cansada. Meu Deus, como eu estou cansada de doer. Cansada de fingir que já passou. Cansada de dizer que estou bem. Cansada de sobreviver a uma ausência que me mata um pouco todos os dias. Eu não te peço para voltares. Porque, no fundo, eu sei que há pedidos que o destino nunca ouve. Mas eu imploro por uma coisa. Faz esta dor acabar. Por favor. De alguma maneira, faz-me acordar um dia e perceber que já não dói procurar-te onde sei que não estás.
Faz-me deixar de esperar mensagens que nunca vão chegar. Faz-me deixar de imaginar regressos que nunca vão acontecer. Faz-me deixar de sentir este aperto no peito sempre que percebo, mais uma vez, que a tua ida foi mesmo uma ida. Que não existe “até já”. Que não existe “quando eu voltar”. Que não existe volta. E talvez seja isso que me está a destruir. Não foi apenas perder-te. Foi ter de continuar aqui depois de perceber que vou ter de viver o resto da minha vida sem a possibilidade de te encontrar outra vez. Então, por favor! Se não podes voltar, leva contigo esta parte de mim que continua à tua espera. Porque eu já não sei o que fazer com ela. E eu estou tão cansada de esperar por alguém que sei que não vem. Tão cansada de sentir falta de alguém que já não consigo alcançar. Tão cansada de amar um lugar onde já não existe ninguém para me receber. Eu só quero que pare. Só quero respirar sem sentir que perdi alguma coisa cada vez que o ar entra nos meus pulmões. Só quero um dia em que o teu nome não me parta ao meio. Mas hoje… Hoje eu ainda espero. Mesmo sabendo. Mesmo doendo. Mesmo chorando por dentro. Eu ainda espero por ti. E talvez essa seja a coisa mais dolorosa que alguém pode fazer. Continuar a esperar por quem já partiu, enquanto aprende, todos os dias, a sobreviver à certeza de que nunca mais vai voltar.


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