Agora sou eu!

Sabes, depois de tudo, aprendi que a vida não para quando alguém parte.. Só muda de tom. Já não espero respostas às mensagens que nunca vieram, nem justificações que já nem fariam sentido agora. Aprendi a calar as perguntas que o meu coração fazia à tua ausência, porque percebi que o silêncio também responde. Durante muito tempo acreditei que a culpa era minha, que eu era demasiado intensa, demasiado disponível, demasiado “tudo”. Hoje vejo que o problema nunca foi o tamanho do meu amor, foi o tamanho pequeno da tua entrega. E não há como encaixar um coração inteiro num peito que só sabe metade. Demorou, mas finalmente entendi: o amor não é mendigar presença, não é torcer para que alguém se lembre de ti quando o tédio chega.
O amor é descanso, não guerra.
E contigo eu vivia em piloto total. Sempre pronta para não perder, para não te perder, quando o que eu devia era apenas ser. E até mesmo não me perder. Agora, quando penso em ti, já não dói tanto. Dói um bocadinho, sim. Grande. Grande o suficiente para me lembrar do que não quero voltar a ser. Mas há dias em que já consigo rir do quanto te esperei, do quanto me anulei, e do quanto hoje estou melhor sem ti. Não te odeio, nem te desejo mal. Só desejo que a vida te ensine o que eu aprendi:
que ninguém deve implorar por amor, que reciprocidade não é favor, e que principalmente fingir sentimentos é a forma mais cruel de destruir alguém. Agora sou eu quem parte.
Sem gritos, sem lágrimas, sem promessas. Levo comigo o que restou de mim, e o que aprendi contigo. A não aceitar migalhas quando sei que mereço o banquete. E se um dia me vires, quero que saibas: Eu já não sou a mesma.
Sou o que sobrou depois de ti,
mas também o que renasceu. Inteira, forte, e finalmente livre.


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